domingo, 1 de março de 2009

Feliz 2009

Carnaval passou. A parte mais divertida é que 2009 me encontra no mesmo ponto em que eu estava nesse mesmo período de 2008. Caramba, 365 dias passaram e quem tá passada sou eu. Tá tudo igual.

Quer dizer, o manequim está dois números maior, e a balança subiu dez números no ponteiro e meu salário está 10% menor do que a mesma época do ano passado. Verdade que eu já vi muita coisa bonita de lá pra cá, tipo cachoeiras, frio e praias gostosinhas de areia branca.

Mas até que seria bom se esconder debaixo da asa do papai com casa roupa lavada e comida de graça e um empreguinho que ele arranjou só pra eu guardar dinheiro e ir pra Europa em 2011.

Cinco de março do ano passado eu fui embora pra Barroland. E aí, se você fosse eu mudaria de novo ou não? É que dessa vez a cidade é bem mais bonita.

Já passou até Carnaval, mas Natal é festa de passar em família. Por isso que é sempre Natal em Natal...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ano que vem eu vou de novo.


Depois eu conto com calma, mas o meu Carnaval teve 14ºC com vento forte e banho de chuveiro gelado de manhã cedo e muita chuva alagando a barraca de lona. Excelente mesmo assim, porque teve muito jazz e muito blues.
E o de vocês?

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Uma morrida, de leve

"A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia

Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas

Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala
com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento

Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!

Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.


(Elisa Lucinda - No elevador do filho de Deus)

***

Eu tinha ido bem ali dar uma morrida,
mas já voltei.

domingo, 25 de janeiro de 2009

A velha rabugenta

Mora uma velha rabugenta dentro de mim. E ela está com o cachimbo sempre vazio.

Eu já tentei encher o cachimbo da velha de todo jeito. Já virei jornalista, desisti de ser assessora de imprensa e de fazer concurso público. Já fiz faxina no quarto às seis da manhã e quebrei o guarda-roupa. Quis ir embora pra sempre e desisti duas horas depois. Já gastei o dinheiro com uma lasanha à bolonhesa só porque achei que a velha estava cansada do meu regime e um prato de massa quentinha poderia colocá-la de bom humor. Não funcionou, e eu ainda fiquei sem um tostão pra encerrar o mês.

Já tive um monte de namorados e rolinhos de final de semana e filme abraçado, todos porque eu achava que tinham alguma coisa que poderia fazer a velha esquecer que está com o cachimbo vazio. Por algum tempo, a velha rabugenta que mora dentro de mim ajeita o xale, pede um escalda-pés e se acomoda. Mas é só por um tempo, que não demora muito ela sentir frio de novo e voltar a fazer noite de chuva dentro de mim. Noite de vodka, se eu não estivesse sem vontade de beber há um tempão.

Eu já gastei noites acordada tentando agradar a velha. E hoje, são cinco e meia da manhã de domingo e ela ainda não se aquietou, mesmo eu argumentando que tenho prova do concurso mais tarde e preciso dormir nem que seja um pouquinho só. Começa a chover e ela, toda rabugenta, mexe o cachimbo vazio entre os dentes e reclama do frio nos pés. Eu jogo mais um lençol por cima, mas nem assim ela se aquieta.

E aí que faz uns dias eu disse não, mesmo quando o corpo inteiro gritava um sim, de uma saudade gostosa escondida. Mas é que eu cismei que merecia mais então não ia me contentar com menos. Eu quero a felicidade de mocinha de novela que passa no Vale a Pena Ver de Novo, sabe?

Perguntei para a velha o que ela tinha achado da minha decisão de mulher correta e madura, mas ela só resmungou, puxou o xale esfarrapado um pouco mais pra cima e mordiscou a ponta do cachimbo ainda vazio, reclamando do frio que estava maior. Minha velha, e agora? Ela não soube responder.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Diálogos que levantam a auto-estima

Cena 01

- Nossa, quanto tempo! Desde aquela entrevista em janeiro do ano passado.

- Pois é. Mas menina, como você está gorda! Eu mal te reconheci.

- Gorda? Bom, er.. ahn... na verdade, engordei 10kg desde aquela época... mas você não precisava me lembrar disso não.

- Mas é porque você está gordona mesmo! Olha só o tamanho desses braços... estão até fofos! (ela fica apertando e soltando meus dois braços como quem amassa massa de trigo)

- Bom... pois é. Te vejo por aí, tá bom? Bom te rever, tchau!

***

Cena 02:

- Tão lindo aquele cara, não é verdade? Se bem que eu acho que dificilmente ele iria prestar atenção em mim.

- Ô, não diga isso. A menina que ele estava ficando na semana passada era até feinha...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

No, no, no

- Minha filha, sabe aquela mulher do cabelão? Aquela, que pinta o olho pretão e sai andando na rua?

- Amy Winehouse, mãe.

- E aquela loirinha, que dizia que era toda virgenzinha mas não era? Como é mesmo o nome dela?

- Britney Spears, mãe.

- Pois é. Essas duas mesmo. Diz que criaram um jogo de videogame que elas têm que vencer um monte de obstáculos pra chegar numa mesa de entorpecentes.

***

Diálogo entre minha mãe e minha irmã, e eu passei dias tentando decidir o que é mais absurdo. Vida longa ao show bizz. Ou pensando melhor, no, no, no.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Doismiletombo

É estranho esse negócio de cair. Você tá assim, andando calmamente (ou apressadamente, na maior parte das vezes) e de repente os pés falseiam. Você balança por alguns pedaços de segundo, procura com os braços abertos algum ponto de apoio invisível. Mas na maior parte das vezes não funciona e, quando o segundo termina, lá está você, estatelado no chão.

2009 já começou assim, com tombo no batente da calçada igual menina de três anos de idade. Queda de criança, daquelas joelhos e palma da mão arranhados de sangue. Queda de passar vergonha no meio da rua, ainda bem que não tinha ninguém olhando, só o vigia que veio ajudar, menina, que queda feia.

Mas o mais chato de tudo nem foi o tombo.

Foi não ter ninguém pra contar.