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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Diálogos que levantam a auto-estima

Cena 01

- Nossa, quanto tempo! Desde aquela entrevista em janeiro do ano passado.

- Pois é. Mas menina, como você está gorda! Eu mal te reconheci.

- Gorda? Bom, er.. ahn... na verdade, engordei 10kg desde aquela época... mas você não precisava me lembrar disso não.

- Mas é porque você está gordona mesmo! Olha só o tamanho desses braços... estão até fofos! (ela fica apertando e soltando meus dois braços como quem amassa massa de trigo)

- Bom... pois é. Te vejo por aí, tá bom? Bom te rever, tchau!

***

Cena 02:

- Tão lindo aquele cara, não é verdade? Se bem que eu acho que dificilmente ele iria prestar atenção em mim.

- Ô, não diga isso. A menina que ele estava ficando na semana passada era até feinha...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A Suécia é aqui

Semana passada eu estava numa daquelas manhãs com um espírito de procrastinação que não me deixava cuidar do que realmente importa – isto é, fazer as unhas, hidratar o cabelo ou tirar cravos do nariz. Tá bom, tá bom, eu bem que deveria terminar algum texto atrasado pro jornal ou atualizar o blog.

O fato é que, de um clique a outro, andei xeretando num desses sites de festas as fotos do show de uma dessas bandas da Bahia que passou por aqui um dia desses. Tá lá no IBGE, bonitinho, que 60% por cento da população é parda. Tá lá no comercial do xampu de cabelos cacheados, bonitinho também, que 55% da população brasileira tem cabelos de cacheados a crespos. Nas mais de duzentas fotos (juro!) eu contei doze morenas e uma – só uma! – morena dos cabelos cacheados (não, não era eu).

O resto, tudo loira, do cabelo liso.

Acho que fui enganada pelo IBGE e a minha marca de xampu. Vai ver a pesquisa dos cabelos encaracolados foi feita pelo Ibope. Será que o Brasil, na verdade, é o pais das loiras escorridas e eu é que não sabia?

Saí de casa me sentindo na Suécia, mesmo com o calorão absurdo. Vai ver que, num universo de tanta amônia e formol, está para chegar o dia que vai ser tal e qual dizem que acontece na Europa: vão olhar uma morena de cabelos cacheados por aí e vão achá-la lindona, só por ser do biotipo mais raro naquele país... Alguém duvida? Já estou esperando.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Um Namorado Virtual

(Diz que hoje eu resolvi passear pelo orkut. Fiz isso por uma boa meia-hora até enjoar de tanto ler "namorando" e ver bonequinhos cabeçudos com olhos de coração distribuindo rosas de mãos dadas estapeando bundas alheias ou comendo cérebros uns dos outros e fazer disso a coisa mais romântica do mundo. Quando eu era adolescente, a gente dividia um picolé de Morango Frutilly...

De repente parece que o ar ficou meio cor-de-rosa e tá todo mundo namorando, menos eu. Todo mundo suspirando e eu olhando pros meus lençóis desfeitos. E nem é que não haja ninguém que eu queira namorar - meu coração tem dado lá suas aceleradas numa direção nova esses dias. Infelizmente, o inverso nunca ocorre e ele vai dormir pensando que eu sou uma mulher Bonita & Inteligente & Liberal pra quem ele nunca vai precisar ligar no dia seguinte. Mais confortável que se eu fosse um sofá de três lugares.

Daí que pensando nisso tudo e me sentindo mais sozinha que Robinson Crusoé numa quinta-feira, resolvi que já estou cansada, até porque hoje completa dez meses do status single, e vinte e três anos sem um relacionamento em que eu não terminasse traída, sacaneada, gorda, arreliada, sem tesão, com a auto-estima baixa etc etc etc. Eu bem que precisava de um alguém que nem precisava ser pra sempre - mas que eu olhasse daqui a alguns anos e suspirasse "ah como Fulaninho era bom".

Daí que, na falta de alguém real e, principalmente, normal e não-traumatizado, resolvi que vou inventar o meu namorado.

E sim, eu tenho esse direito. Crianças pequenas não são censuradas por amigos imaginários, da mesma maneira que um grau moderado de esquizofrenia virual deve ser tolerado em jovens mulheres adultas e solteiras.

***

O primeiro passo é imaginar a aparência. Ele não tem aquela beleza de colírio da Capricho. Na verdade, ele é um pouquinho desengonçado, de um jeito meio atrapalhado que me faz rir e não ficar com vergonha de ser meio destrambelhada também. Ah, e ele vai ser moreno. Uma barriguinha é até desejável.

Ele vai ter o cabelo naquele estágio que a gente pensa "bem que já estava na hora de ele cortar", mas que ainda não ficou grande a ponto de incomodar. Mas a barba, ah, a barba ele vai lembrar de fazer de vez em quando só pra raspar no meu rosto depois. Sobretudo, ele vai ter um jeito de me olhar sério e me derreter inteira, e um sorriso que lembre levemente aqueles estampados em caixa de creme dental. Ah, e ele é alto - qualquer coisa maior que 1,85m - e tem mãos de massagista de spa.

Ele vai estudar alguma coisa que eu não entenda bem, mas ache fascinante - talvez na área de economia ou alguma área social - e com certeza vai pensar que ser jornalista é a profissão mais sexy do mundo. Provavelmente ele tocar algum instrumento também. Vai me achar inteligente até quando eu fizer algum comentário de orelha de livro querendo impressionar, e vai me surpreender de vez em quando me explicando as coisas que eu não conseguir entender.

Ele terá bom humor e vai fazer tanta piada que às vezes vai me irritar e eu vou começar a achá-lo meio criança. Vai ter manias esquisitas que vão me arreliar ou me dar vontade de rir, dependendo do meu humor, e vai ser um saco quando estiver doente. Vai gostar das mesmas bandas que eu e me apresentar uns troços de que eu nunca ouvi falar, e vai se divertir comigo na mesma proporção em um show cheio de gente se apertando na fila do gargarejo ou num arrastapé.

Ele não vai ser nem tão inteligente a ponto de eu me sentir burra, nem tão tapado a ponto de comerter erros crassos de Português e me deixar sem conseguir manter uma discussão num nível decente.Vai fazer piadas e divertir as minhas amigas e depois me abraçar na frente delas. Vai aparecer pra me ver com um bombom de chocolate (só um!) quando eu não estiver esperando.

E, sobretudo, ele vai olhar pra mim e não vai querer me largar mais.

Pronto. Tô namorando. Viu como é fácil?

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Preciso de um homem!

Calma, não é nada disso que vocês estão pensando.

Meu sonho sempre foi morar sozinha. Ter meu cantinho pra chamar tudo de meu meu meu, deixar os móveis do jeito que quiser, o iogurte na geladeira sem o perigo de ninguém tomar por mim, dormir e acordar à hora que quiser, ouvir musica alta e esquecer os chinelos embaixo da mesa e a calcinha pendurada no chuveiro sem ter ninguém pra reclamar.

Nada disso é possível, considerando que divido a casa com outras três pessoas. Em se tratando de três mulheres, porém, há certas tarefas extremamente complicadas. Dito isso, e aliado aos recentes comentários de que “eu deveria morar com um homem”, listo aqui os serviços essenciais, aqueles que só um homem poderia resolver por mim (!).

  1. Remoção de roedores do meu quarto. O ratatouillense em questão fugiu do meu quarto depois de atacar duas das minhas companheiras de casa que, solícitas, se ofereceram para expulsar o intruso mijão. A raiva do bicho, porém, foi tamanha que suspeitamos que se tratava de uma ratazana prestes a ter filhotes, isto é, pode ser que ainda encontremos ratatouillezinhos por lá. Daí que estou acampada na sala desde a última terça-feira, esperando minha companheira de quarto voltar de viagem pra me ajudar nessa ingrata tarefa.
  2. Troca de lâmpadas, conserto da descarga etc. Nas últimas duas semanas, todas as lâmpadas da frente da casa queimaram, a descarga do banheiro vive pifando etc.
  3. Confecção de café da manhã, almoço e/ou jantar. Quanto vale um homem que não sabe cozinhar? Cansa ficar almoçando em churrascarias e jantar sempre o mesmo pão frio com iogurte.
  4. Afugentamento de ladrão. Desde o final de semana em que fomos surpreendidos com um ladrão escondido na lavanderia, essa se tornou uma das necessidades mais imperiosas.
  5. Alegria, alegria. Violão, malabarismo, canto, poesia ou representações lúdicas são aceitos. Guitarras distorcidas são legais, mas podem incomodar os vizinhos.

Ainda bem que nunca fui feminista. Tem coisa mesmo que é homem quem tem que fazer. Portanto, caros amigos dotados de cromossomo Y, caso estejam de passagem pela Barroland, não se acanhem!