Carnaval passou. A parte mais divertida é que 2009 me encontra no mesmo ponto em que eu estava nesse mesmo período de 2008. Caramba, 365 dias passaram e quem tá passada sou eu. Tá tudo igual.
Quer dizer, o manequim está dois números maior, e a balança subiu dez números no ponteiro e meu salário está 10% menor do que a mesma época do ano passado. Verdade que eu já vi muita coisa bonita de lá pra cá, tipo cachoeiras, frio e praias gostosinhas de areia branca.
Mas até que seria bom se esconder debaixo da asa do papai com casa roupa lavada e comidade graça e um empreguinho que ele arranjou só pra eu guardar dinheiro e ir pra Europa em 2011.
Cinco de março do ano passado eu fui embora pra Barroland. E aí, se você fosse eu mudaria de novo ou não? É que dessa vez a cidade é bem mais bonita.
Já passou até Carnaval, mas Natal é festa de passar em família. Por isso que é sempre Natal em Natal...
Depois eu conto com calma, mas o meu Carnaval teve 14ºC com vento forte e banho de chuveiro gelado de manhã cedo e muita chuva alagando a barraca de lona. Excelente mesmo assim, porque teve muito jazz e muito blues. E o de vocês?
"A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida Que eu já tô ficando craque em ressurreição. Bobeou eu tô morrendo Na minha extrema pulsão Na minha extrema-unção Na minha extrema menção de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo sinceramente sucumbo Há nós que não dissolvo e me torno moribundo de doer daquele corte do haver sangramento e forte que vem no mesmo malote das coisas queridas Vem dentro dos amores dentro das perdas de coisas antes possuídas dentro das alegrias havidas
Há porradas que não tem saída há um monte de "não era isso que eu queria" Outro dia, acabei de morrer depois de uma crise sobre o existencialismo 3º mundo, ideologia e inflação... E quando penso que não me vejo ressurgida no banheiro feito punheteiro de chuveiro Sem cor, sem fala nem informática nem cabala eu era uma espécie de Lázara poeta ressucitada passaporte sem mala com destino de nada!
A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida ensaiar mil vezes a séria despedida a morte real do gastamento do corpo a coisa mal resolvida daquela morte florida cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos que já to ficando especialista em renascimento
Hoje, praticamente, eu morro quando quero: às vezes só porque não foi um bom desfecho ou porque eu não concordo Ou uma bela puxada no tapete ou porque eu mesma me enrolo Não dá outra: tiro o chinelo... E dou uma morrida! Não atendo telefone, campainha... Fico aí camisolenta em estado de éter nem zangada, nem histérica, nem puta da vida! Tô nocauteada, tô morrida!
Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa não tem aquela ansiedade para entrar em cena É uma espécie de venda uma espécie de encomenda que a gente faz pra ter depois ter um produto com maior resistência onde a gente se recolhe (e quem não assume nega) e fica feito a justiça: cega Depois acorda bela corta os cabelos muda a maquiagem reinventa modelos reencontra os amigos que fazem a velha e merecida pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?" E a gente com aquela cara de fantasma moderno, de expersona falida: - Não, tava só deprimida.
(Elisa Lucinda - No elevador do filho de Deus)
***
Eu tinha ido bem ali dar uma morrida, mas já voltei.
Mora uma velha rabugenta dentro de mim. E ela está com o cachimbo sempre vazio.
Eu já tentei encher o cachimbo da velha de todo jeito. Já virei jornalista, desisti de ser assessora de imprensa e de fazer concurso público. Já fiz faxina no quarto às seis da manhã e quebrei o guarda-roupa. Quis ir embora pra sempre e desisti duas horas depois. Já gastei o dinheiro com uma lasanha à bolonhesa só porque achei que a velha estava cansada do meu regime e um prato de massa quentinha poderia colocá-la de bom humor. Não funcionou, e eu ainda fiquei sem um tostão pra encerrar o mês.
Já tive um monte de namorados e rolinhos de final de semana e filme abraçado, todos porque eu achava que tinham alguma coisa que poderia fazer a velha esquecer que está com o cachimbo vazio. Por algum tempo, a velha rabugenta que mora dentro de mim ajeita o xale, pede um escalda-pés e se acomoda. Mas é só por um tempo, que não demora muito ela sentir frio de novo e voltar a fazer noite de chuva dentro de mim. Noite de vodka, se eu não estivesse sem vontade de beber há um tempão.
Eu já gastei noites acordada tentando agradar a velha. E hoje, são cinco e meia da manhã de domingo e ela ainda não se aquietou, mesmo eu argumentando que tenho prova do concurso mais tarde e preciso dormir nem que seja um pouquinho só. Começa a chover e ela, toda rabugenta, mexe o cachimbo vazio entre os dentes e reclama do frio nos pés. Eu jogo mais um lençol por cima, mas nem assim ela se aquieta.
E aí que faz uns dias eu disse não, mesmo quando o corpo inteiro gritava um sim, de uma saudade gostosa escondida. Mas é que eu cismei que merecia mais então não ia me contentar com menos. Eu quero a felicidade de mocinha de novela que passa no Vale a Pena Ver de Novo, sabe?
Perguntei para a velha o que ela tinha achado da minha decisão de mulher correta e madura, mas ela só resmungou, puxou o xale esfarrapado um pouco mais pra cima e mordiscou a ponta do cachimbo ainda vazio, reclamando do frio que estava maior. Minha velha, e agora? Ela não soube responder.
- Nossa, quanto tempo! Desde aquela entrevista em janeiro do ano passado.
- Pois é. Mas menina, como você está gorda! Eu mal te reconheci.
- Gorda? Bom, er.. ahn... na verdade, engordei 10kg desde aquela época... mas você não precisava me lembrar disso não.
- Mas é porque você está gordona mesmo! Olha só o tamanho desses braços... estão até fofos! (ela fica apertando e soltando meus dois braços como quem amassa massa de trigo)
- Bom... pois é. Te vejo por aí, tá bom? Bom te rever, tchau!
***
Cena 02:
- Tão lindo aquele cara, não é verdade? Se bem que eu acho que dificilmente ele iria prestar atenção em mim.
- Ô, não diga isso. A menina que ele estava ficando na semana passada era até feinha...
É estranho esse negócio de cair. Você tá assim, andando calmamente (ou apressadamente, na maior parte das vezes) e de repente os pés falseiam. Você balança por alguns pedaços de segundo, procura com os braços abertos algum ponto de apoio invisível. Mas na maior parte das vezes não funciona e, quando o segundo termina, lá está você, estatelado no chão.
2009 já começou assim, com tombo no batente da calçada igual menina de três anos de idade. Queda de criança, daquelas joelhos e palma da mão arranhados de sangue. Queda de passar vergonha no meio da rua, ainda bem que não tinha ninguém olhando, só o vigia que veio ajudar, menina, que queda feia.
Originária da China, a tangerina só chegou ao Ocidente por volta do ano 1800. É uma fruta cítrica de cor alaranjada e sabor adocicado, originária da Ásia. No sul do Brasil, é chamada de bergamota; no Sudeste, de mexerica. Normalmente é colhida entre os meses de maio a agosto, mas a safra pode ir de abril a setembro. A casca possui concentrações elevadas de vitaminas A, B1, B2, Niacina, vitamina C, cálcio e fósforo, podendo ser usada para fazer doces e geléias. O valor nutritivo do suco ou da polpa varia conforme a espécie, mas é sempre boa fonte de vitaminas A e C e sais minerais como potássio, cálcio e fósforo. No Brasil, o maior produtor de tangerina é o estado de São Paulo, que responde sozinho por cerca de 3% da safra nacional.
Tangerine (Led Zeppelin)
"Measuring a summer's day I only find it sleeps away to gray The hours, they bring me pain Tangerine, Tangerine Living reflection from a dream I was her love, she was my queen and now a thousand years between Thinking how it used to be Does she still remember times like these? To think of us again and I do.
Tangerine (Eternal Sunshine of the Spotless Mind)
Clementine: You like? To match my sweatshirt, exactly. Joel: I like it! Clementine: You do? Joel: You look like a tangerine! Clementine: Hmmm, Clementine the tangerine. Joel: Juicy... 'n seedless. Clementine: I like that.
O que é que você vai fazer amanhã quando acordar? E daqui a cinco anos? Se você tem uma resposta certa, então nós não temos isso em comum.
Eu já tentei tocar violão e ser atriz e cantar e nadar e escrever. Nada deu muito certo, talvez porque eu nunca consigo fazer planos para um espaço maior que os próximos cinco minutos. É que quem muito pensa pode até aproveitar menos. Mas tem blog, porque escreve mais do que todo mundo.